As vezes eu olho pra esse blog, em como ele tem representado minha vida nos últimos meses e acho tudo muito cor-de-rosa. E esse era justamente meu objetivo quando decidi começar a postar com mais frequência. Ter uma vida mais cor-de-rosa.
Pensando assim pode até parecer que as coisas são fáceis e simples, ou até que eu sou uma boba alegre que bate palminhas pra tudo o que é fofo, ou que sou uma pessoa que só enxerga copos cheios, mas sabe, minha vida não estava sendo fácil de uns anos pra cá. Eu digo não estava não é porque os problemas sumiram, mas porque eu comecei a me reencontrar. Me decidi por, pelo menos tentar, fazer as coisas diferentes, ver as situações mais positivas, me encontrar fazendo o que amo e porque não, me cercar disso? Viver disso? E quando digo viver não é no sentido de ganhar dinheiro, é de viver mesmo, lifestyle, haha.
Nos últimos dez anos da minha vida: meus pais se separaram e isso gerou um desequilÃbrio óbvio em todos os envolvidos nesse processo, afinal não se vive dezessete anos de uma maneira e de repente, opa, a vida diz que não pode mais, claro que agente se perde um pouco no caminho e tem que se reencontrar. Depois minha mãe casou de novo, e a vida virou uma bagunça, e não faltou apoio ao novo relacionamento não, foi simplesmente o fato da pessoa escolhida ser meio desequilibrada e trazer infinitos problemas psicológicos e financeiros.
Foram brigas e mais brigas e mais brigas, e olha, chegou ao ponto do insuportável, só quem vive em um lugar onde todo diálogo vira discussão sabe. Eu morei cinco anos em um lugar que odiava, e mesmo assim fazia de tudo pelas pessoas ao meu redor. Eu amadureci, paguei contas, cuidei da casa, tive que sustentar uma famÃlia, fui a rocha necessária. Mas ninguém é rocha né? Fiquei doente, mas nunca fui ao médico por medo. Tive poucos amigos que aguentaram ficar do meu lado. Um era meu cachorro, que fui obrigada a me desfazer, e até hoje é uma culpa que carrego por não ter tentado um pouco mais. E outra amiga, de confiança, pouco mais de um ano atrás virou as costas e sem nem dizer o que fiz de errado foi morar em outro paÃs, nunca mais falou comigo. Fui perseguida por um maluco no trabalho que fuçou toda minha vida virtual, tirou minha privacidade e me assediou moralmente, o que me fez ter um medo incrÃvel de escrever qualquer coisa que não fosse protegida por senha. E ainda existe um lado mais negro, que não vou escrever aqui, pelo simples fato de que não quero ter que me lembrar.
Em resumo, durante um bom tempo, isso era tudo o que conseguia ver. Já se vão quase dois anos que mudei de casa, conheci novas pessoas, saà do cÃrculo em que estava. E ao mesmo tempo estou me reencontrando. Este blog tem me ajudado, e muitas vezes pessoas que nem imaginam estar fazendo isso, também. Uma foto, uma palavra, uma roupa nova que representa o que estou sentindo agora. Nada dura pra sempre, e assim como eu achava que a nuvem negra nunca ia passar, sei que o momento cor-de-rosa também vai, queira eu ou não. Então não quero me acomodar, quero viver esse momento de verdade, e me lembrar dele. Por isso estou registrando ele dessa maneira aqui.
Sem dúvidas este começo de ano está sendo feliz, Janeiro está se findando e já ouço pessoas reclamando do tempo passando rápido demais. Aliás, eu ouço pessoas reclamando praticamente de tudo, e posso ser sincera? Durante esses anos cinzentos convivi dia e noite com gente assim, meio amarga, muito irônica com tudo, superiores a simplicidade da vida, e absorvi isso, me peguei pensando assim também, e não quero mais. Não é acordar todo dia com sorriso de orelha a orelha, dar bom dia pra desconhecidos, nunca ficar triste, pelo contrário, é se permitir, se conhecer, ter mais contanto consigo mesmo e descobrir que mesmo nos piores dias, existem sim coisas boas acontecendo, mesmo que não seja com você, porque também é bom ficar feliz pelos outros. E além de tudo, pelo menos tentar ser feliz.
Pra terminar, eu redescobri no meio das coisas que nunca desecaixotei, um livrinho bobo e simples, cheio de boas idéias e conselhos, é legal abrir ele de vez em quando e ler uma delas. Pra variar ele tem a minha cor favorita, cor-de-rosa.
8 Comentários em “A life less ordinary”
Menina, você é corajosa de postar tudo isso!
Eu aprendi que, de perto, ninguém é normal. Todo mundo tem problemas absurdos, que nem imaginamos. Eu mesma moro com a minha madrasta, de uma classe social diferente da qual era criada com a minha mãe, e seu exatamente como é. A verdade é que tudo é amadurecimento, agora ou daqui a 60 anos vão existir dificuldades absurdas que você nem imaginava que era capaz de superar, e isso é ótimo.
E aprendi que buscar a felicidade é a maior burrice da vida. Felicidade… um passarinho preso a uma gaiola pode ser tão feliz quanto a um passarinho que voa numa floresta amazônia. Felicidade é ESTAR, e não SER, e não depende de nenhum fator externo, apenas de si próprio.
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Também achei você super corajosa!
Mas na real, você está certa mesmo. Não pode ter vergonha ou querer esconder o que passou. Faz bem compartilhar tudo isso.
Pra mim o blog também veio como uma iluminação, uma cor pros dias cinzas, uma inspiração. E tá me ajudando bastante!
Acredito que as pessoas devam buscar coisas assim, como um blog é pra gente, uma fonte de alegrias, coisas boas… E não só reclamar por tudo, sendo que não faz nada pra mudar.
Beeijos
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Que Deus te ajude a enxergar cores mesmo nos dias mais cinzas, porque até neles pode haver algo que salve nossos dias… e que você não perca essa doçura nas palavras e imagens que te traduzem. =)
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Caramba, que perrengue. Não sabia que você tinha passado por todas essas coisas, lamento muito e fico feliz em saber que as nuvens negras deram um tempo. Podem até voltar, mas a cada “fase ruim” a gente aprende um pouco mais e, na próxima, as nuvens vão ficando cada vez menos escuras… Exatamente como está escrito lá em cima, “struggles make me stronger”. Espero que esses percalços tenham te fortalecido, porque infelizmente sem eles a gente não cresce. Chato, mas verdade. In the meantime, continue enchendo esse espaço de coisas lindas que te façam bem.
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mais do que livros de frases, livros infantis me fazem muito bem. quero tentar comprar o “the cat in the hat”, estou estudando possibilidades de achá-lo em inglês por aqui ou ter que importar (o que, me parece, ficará mais barato).
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Juli que legal teu post, e posso dizer que é preciso ter coragem de passar por tudo o que vc passou e hoje poder escrever sobre isso observando que as coisas melhoraram e que a gente não pode viver o tempo todo reclamando…
Espero que teus momentos de felicidades sejam em dobro e que vc possa como vc mesma disse ser feliz todos os dias mesmo sem motivo!
bjs
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momentos felizes são tão raros e tão poucos, ser cor-de-rosa é cada mais dificil…pelo menos aqui vc pode ser, desejar e conseguir passar para outras áreas da vida
boa sorte agora em 10!
beijos
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Tenho pensado tanto nisso nos últimos dias… Em como as pessoas reclamam e não saem do lugar. No quanto praticam a intolerância, o dia todo, via twitter ou blogs. A gente acaba sendo afetada por esse climinha ruim. Também não quero mais viver ouvindo bobagem o dia todo. Quero abrir blogs como o seu todos os dias e ver coisas bonitas, ler coisas boas. Porque eu também quero registrar só isso, o que eu viver de bom. Pra que eu só lembre dos arco Ãris e esqueça das nuvens negras
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