A primeira lembrança que tenho é da barriga da minha mãe, não muito nÃtida na memória, uma fotografia borrada tirada da mente de uma criança de dois anos. E minha mãe falando do bebê novo que viria. Nunca o considerei meu inimigo, e a mãe diz que logo eu quis doar solÃcita minha cama para a nova criatura. Depois as lembranças pulam para um rostinho gordinho e sorridente, olhinhos brilhantes, vezes verdes, vezes azuis, e a mão fofa que eu sempre pegava para subir no ônibus que nos levava até a escolhinha, ou quando precisava atravessar a rua. E a infância foi um mundo restrito a duas meninas que brincavam de casinha e bolinhos feitos de barro (desde aquele tempo apreciadoras de cupcakes), de vez em quando aparecia o vizinho e os três faziam planos para quando pudessem comprar todos os brinquedos que só existiam no catálogo. Até o dia, próximo do Natal, em que os três comeram todos os papais noéis de chocolate que haviam sido cuidadosamente pendurados pela mãe na árvore, enquanto a mesma trabalhava. Nas férias as viagens para Santa Maria, visitar a tia que nos fazia comer espinafre. Certa vez, descendo as escadas do prédio, comecei a pular dois degraus de uma só vez, e ela então, tentando imitar, saiu rolando até o chão, e aos quatro anos teve o braço quebrado. Depois andava toda boba com aquele gesso, colhendo moranguinhos na casa de um avô postiço. Também durante as viagens, fomos pela primeira vez ao cinema, que infelizmente teve que ficar com porta aberta durante aquela sessão, afinal ela tinha medo do escuro. Então veio a mudança de cidade, e na minha memória estão os trotes passados para as pizzarias, o tapete cheio de brinquedos espalhados, quando Ãamos para a escola depois do almoço, e eu ainda pegava na mão ao atravessar a rua, que já não era tão fofa, pois ela já estava do meu tamanho. A essas alturas minha mente já guarda imagens nÃtidas da pessoa que passou por todos os momentos da minha vida junto comigo. E na grande maioria, ao lado dela, foram felizes, Mesmo já casada ela vem tomar café aqui em casa alguns dias da semana e agente conversa como se o tempo nunca tivesse passado. Daà sábado, dia 12, ela estava de aniversário, e eu precisava escrever (mesmo sem ter um pingo de escritora) um pouquinho sobre essa jornada. Então Cris, feliz aniversário, minha irmã

Cris, de braço quebrado, e eu, colhendo moranguinhos
2 Comentários em “Minha irmã, Cris”
Lindo o Texto, =]
Pode ser que não uma escritora mas uma compositora quem sabe.
Beijos Meninas.
[Resposta]














E isso foi só pra me fazer chorar um poquinho..
Sabe que é a melhor irmã do mundo né! BRIGADA, TE AMO MANA!
=*******
[Resposta]